Grécia: Dicas para explorar o sítio arqueológico de Delos

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Quem visita a ilha de Mykonos, não pode perder a oportunidade de passar umas horinhas conhecendo o sítio arqueológico de Delos, uma ilha incrível e repleta de história. Neste post, explicamos o que encontrar na ilha, como chegar até lá e como aproveitar essa experiência da melhor forma possível.

UM POUCO DE HISTÓRIA: A ILHA DE DELOS

Assim como Mykonos, Santorini, Ios, Naxos e tantas outras ilhas, Delos faz parte do arquipélago do Mar Egeu conhecida como Ilhas Cíclades. Escavações mostraram que os primeiros assentamentos em Delos tiveram início por volta do ano 3.000 a.C. e, por volta do ano 1.000 a.C., a ilha começou a ser habitada pelos gregos jônicos. A ilha tem uma importância histórica enorme como um santuário sagrado e local de nascimento dos deuses Apolo e Artemis (que eram irmãos gêmeos). Por volta do século VI a.C., os atenienses tomaram posse de Delos e das ilhas vizinhas e iniciou-se um processo de “purificação” da ilha. Todos os corpos já enterrados foram removidos para a ilha de Rinia, e mortes e nascimentos foram proibidos por se tratar de um lugar considerado sagrado. Durante séculos, Delos foi um importante centro de culto e de peregrinação religiosa.

Vista do topo do Monte Kynthos, o ponto mais alto da ilha
Um dos leões do “Terraço dos Leões”, um dos locais mais famosos da ilha

Após as Guerras Persas, a ilha se tornou o local de encontro natural para a Liga de Delos, fundada em 478 a.C., que reunia aliados de Atenas e Esparta. O local se desenvolveu rapidamente porque, no final do século V a.C., o Porto de Delos foi declarado livre e toda atividade comercial a leste do Mediterrâneo começou a passar pela ilha. Ricos comerciantes, banqueiros e proprietários de navios do mundo todo se estabeleceram na ilha, atraindo construtores e artistas, que construíram belas casas e templos, decorados com afrescos e mosaicos. Assim, a pequena ilha se tornou o maior centro comercial do mundo na época.

Vista do mar a partir da ilha de Delos
Coluna grega destruída em Delos

No entanto, a prosperidade de Delos e as suas relações amistosas com os romanos foram a grande causa de sua destruição. Em 88 a.C., Delos foi atacada por Mithridates VI, Rei de Pontos, que se rebelava contra os romanos. Grande parte da ilha foi destruída e muitas pessoas morreram ou foram vendidas como escravas. Em 69 a.C., a ilha foi atacada por piratas simpatizantes de Mithridates VI. Os romanos reconstruíram alguns dos templos e edifícios, mas ao longo dos séculos, as rotas comerciais mudaram e Delos caiu em declínio até ficar desabitada. Escavações na ilha foram iniciadas em 1872 e, em 1990, a ilha de Delos foi declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, por ser considerada um sítio arqueológico extremamente rico.

Delos foi reduzida a ruínas
O que sobrou do Colosso de Naxos

COMO CHEGAR A DELOS

A única forma de chegar a Delos é de barco. Nós fomos pela empresa Delos Tours que faz viagens diárias entre Mykonos e Delos. O trajeto dura cerca de meia hora e o valor para ida e volta é de €20 por pessoa (não inclui entrada na no sítio arqueológico, que precisa ser paga a parte na bilheteria – valor de €12 por pessoa). Você pode comprar o ticket do barco pela internet ou na bilheteria, localizada no Porto Antigo de Mykonos, que fica na cidade de Chora, também chamada de Mykonos Town.

Barco que nos transportou do Porto Antigo de Mykonos até Delos

 A empresa também oferece tours guiados pela ilha por €50 (inclui o transporte de barco + tour guiado + entrada no sítio arqueológico). No entanto, há diversos outros guias que podem ser contratados na hora, quando você desembarcar. Você pode optar por não por fazer um tour guiado e fazer o passeio sozinho no seu ritmo. Foi o que nós preferimos fazer, pois gostamos de ter liberdade para caminhar e gastar o tempo da maneira que acharmos mais conveniente.

  • FIQUE ATENTO! Horários dos barcos: disponíveis somente de abril a outubro
    • segunda-feira: às 10h e 17h (ida) / às 13h30 e 19h30 (volta)
    • terça a domingo: às 9h, 10h, 11h30 e 17h (ida) / 12h, 13h30, 15h e 19h30 (volta)

DICA: DESEMBARQUE EM DELOS

Tente ficar próximo a saída do barco no momento em que ele atracar em Delos. Essa dica é valiosa porque você vai precisar entrar na fila da bilheteria para comprar os ingressos para o sítio arqueológico. Infelizmente, não há venda de ingressos antecipados pela internet. Quem vai fazer a visita com guia, não precisa ficar na fila. Não se esqueça de pegar o folheto com o mapa do local antes de dar início ao passeio. Ao lado da bilheteria fica uma lojinha de presentes para quem quiser levar uma lembrancinha do local.

Primeira vista de Delos após o desembarque
Detalhes de ruínas de Delos e, ao fundo, o Porto de Delos e a bilheteria

Não se esqueça de ir com calçados fechados e confortáveis para caminhar. Não vá de chinelo, porque é preciso caminhar pela terra, passar por pedras, lugares íngremes e solos irregulares.

AS ROTAS NA ILHA DE DELOS

Nós fomos para Delos no barco de 10h. Chegamos a ilha às 10h30 e achávamos que seria super tranquilo ver tudo e voltar para Mykonos no barco de 13h30. Deu tempo, mas foi corrido. Perdemos quase meia hora na bilheteria e começamos a explorar o local quase 11h da manhã. Embora a ilha seja pequena (3,43 km²), há muita coisa para ver, por isso, organize-se para não deixar de ver nada que queira.

O folheto que pegamos após passar pela bilheteria, além de mostrar o mapa do local, dá 3 sugestões de rotas e o tempo necessário para fazer cada uma delas. Esses tempos já incluem uma visita ao Museu Arqueológico de Delos que leva em torno de 30 minutos.

  • Rota 1 (Linha azul): 1 hora e meia
  • Rota 2 (Linhas azul e verde): 3 horas
  • Rota 3 (Linhas azul, verde e marrom): 5 horas
Reprodução do folheto com o mapa do sítio de Delos

Desafiando o relógio, nós optamos por fazer a Rota 2 + parte da Linha Marrom, incluindo a subida ao Monte Kynthos, cobrindo praticamente tudo o que há para visitar na ilha. 3 horas era o que tínhamos planejado para o nosso roteiro e precisamos dar uma corridinha para percorrer tudo.

EXPLORANDO A ILHA DE DELOS: PASSO-A-PASSO

Nossa sugestão de roteiro pela ilha de Delos será dividido em 3 partes: Linha Azul, Museu e Linha Verde + parte da Marrom.

1. LINHA AZUL

A Linha Azul cobre uma série de construções, com diversos templos, ágoras, monumentos e o Rio Sagrado. É nesta parte da ilha que fica o famoso Terraço dos Leões. Para começar pela Linha Azul, assim que entrar no sítio, pegue à esquerda. O primeiro ponto é a Ágora dos Competaliastos (#3), um local onde funcionava um mercado da antiga cidade, com dois pequenos templos dedicados a Hermes, deus do comércio, seguida pela Stoa de Felipe V (#4). Seguindo pelo Caminho Sagrado (#5), formado por dois pórticos (Stoa do Sul (#6) e Ágora dos Delianos (#7)), chega-se ao Propileu (#8), o portão principal do Santuário.

O passeio começa na Ágora dos Competaliastos
Propileu e a estátua de Hermes

À direita, depois de Propileu, estão o Colosso de Naxos (#10) e uma base da estátua de Apolo, dedicada pelos naxianos ao redor do ano 600 a.C. Partes desta estátua podem ser vistas no Santuário de Artemis (#22). Mais ao norte, estão três templos de Apolo (#12 a #14), de frente para o Keaton (#15), o mais antigo altar, construído pelo próprio Apolo. Os cinco Colossos (ou Tesouros) (#24 a #28) eram usados para guardar as preciosas oferendas da cidade. Na borda norte do santuário, fica um pórtico, a Stoa de Antigonus Gonatas (#34), dedicado ao rei da Macedônia de mesmo nome. Dentro do santuário também há prédios administrativos: Bouleuterion (#29), Prytaneion (#30) e o Ekklesiasterion (#38), que eram prédios usados em assembleias com representantes, dignatários e cidadãos. O Monumento com os Búfalos (#31) é o prédio mais longo da parte leste do Santuário, onde fica um navio de guerra dedicado ao rei Demetrius Poliorketes, no final do século IV a.C.

Área do Colosso de Naxos
Pouco sobrou dos Templos de Apolo

A saída norte do Santuário fica entre o Graphe (#37) e o Ekklesiasterion (#38). O Dodekatheon (#42), um templo do século III a.C., foram encontrados importantes estátuas de doze deuses que podem ser vistas no Museu (#68). Mais ao norte, fica o Monumento de Granito (#43) e, na direção oposta, está o Letoon (#44), um templo do século VI a.C. dedicado à Leto, a mãe dos deuses Apolo e Artemis. Atrás do Letoon, fica o maior edifício de Delos, construído cerca do ano 100 a.C., a Ágora dos Italianos (#46), um mercado e lugar de encontros para todos os homens de negócios italianos da ilha.

Ágora dos Italianos

Seguindo o caminho, à direita ficava o Lago Sagrado (#46), que foi preenchido em 1925 devido à uma epidemia de malária, e, à esquerda, fica o famoso Terraço dos Leões (#47), construído pelos naxianos no final do século VII a.C. Uma curiosidade é que esses leões são réplicas e os originais ficam dentro do Museu. O grande prédio ao lado dos Leões, Estabelecimento dos Poseidoniasts (#49) sediava uma associação de mercadores, proprietários de navios e banqueiros de Beirute. A Casa do Lago (#59) é um típico exemplo de casa de Delos do final do século II a.C. O Monumento de Carystius (#67) é dedicado a Dionísio por Carystius.

Caminhando pelas ruínas
O famoso Terraço dos Leões
Colunas da Casa do Lago
Ágora do Lago
  • Dica para quem tiver mais tempo e quer fazer essa parte da Linha Marrom, o único trecho que ficou fora do nosso roteiro: Passando o Lago Sagrado e a Ágora Italiana, chega-se a estrada principal ao norte do Santuário. Continue por essa estrada para visitar o Archegesion (#71), o Ginásio (#72), o Estádio (#73) e a Sinagoga Judia (#75).

2. MUSEU ARQUEOLÓGICO DE DELOS

Em 1872, a Escola Francesa de Atenas começou a escavar em Delos, em um projeto em grande escala, que ainda está em andamento hoje. Diversas estátuas que (do século VII ao século I) resgatadas do sítio arqueológico estão expostas dentro do museu, que foi construído em 1904 para abrigá-las. Há também uma coleção de cerâmica com peças do século XXV a.C. até o século I a.C.; além de peças em argila, joias e mosaicos. Entre os destaques do museu estão: os leões originais do “Terraço dos Leões”; a “mão” do Colosso de Naxos; a estátua de mármore Apolo; a máscara de bronze de Dionísio; e o belo mosaico da “Casa de Dionísio” (que fica na Linha Verde).  Embora o museu tenha uma coleção considerável, ele não contém todos os itens encontrados em Delos: uma grande quantidade está em exibição em Atenas no incrível Museu Arqueológico Nacional.

A caminho do Museu
Os leões originais do “Templo dos Leões”
A “mão” do Colosso de Naxos

3. LINHA VERDE + PARTE DA MARROM

Seguindo a rota sugerida pelo folheto, saia do museu e faça a subida até o Monte Kynthos, que fica a uma altura de 112 metros acima do nível do mar. No caminho, você vai passar pelo Templo de Isis (#87) e pelo Santuário de Hera (#88), na Linha Verde.

Começando a subir…a vista da ilha já vai ficando linda
Vista das ruínas que passamos na Linha Azul
À esquerda, oTemplo de Isis, e o Monte Kynthos, à direita
Hora de encarar a subida

A subida é longa e cansativa, pois quando você acha que acabou, tem que subir ainda mais. Fôlego! A vista lá em cima recompensa todo o esforço, pois é possível ter uma visão panorâmica de Delos, toda cercada pelo mar Egeu, além de avistar outras ilhas como Mykonos, Naxos e Paros. Nós nem suamos porque o vento estava bem forte no dia da nossa visita, e acabou sendo refrescante. Aos pés do Monte Kynthos ficam o Santuário de Agathe Tyche (#89) e a Gruta de Hércules (#90), que são da Linha Marrom, Rota 3.

A vista lá em cima compensa a subida
Visão ampla de Delos e das ilhas próximas no topo do Monte

Voltando para a Linha Verde, agora é hora de conhecer a região dos teatros, uma das primeiras áreas residenciais da cidade antiga. O caminho passa pela Casa dos Golfinhos (#92) e Casa das Máscaras (#93), casas privadas luxuosas com belos mosaicos no chão. Passa-se pelo Xenon (#94), um hotel com uma grande cisterna, e pelo belo Teatro (#95) semi-circular feito de mármore, com capacidade para 5 mil pessoas, que também conta com uma enorme cisterna (#97).

Caminhando pelas ruínas após descer do Monte Kynthos
Entrada da Casa das Máscaras
Encontramos até flores neste ambiente desértico
Vista do Monte Kynthos
O Teatro com capacidade para 5 mil pessoas

A Casa do Tridente (#98) é a residência mais rica da área e pertencia a um abastado mercador. Na Casa de Dionísio (#99) foi encontrado aquele belo mosaico que está no Museu. E, finalmente, na Casa de Cleopatra (#100), as duas estátuas sem cabeça dos proprietários recebem os visitantes. Na verdade, o nome nada tem a ver com a famosa rainha do Egito. Trata-se da casa de uma rica senhora ateniense que encomendou as estátuas depois que perdeu seu marido (as estátuas originais estão no Museu). No final do passeio, passamos por um caminho estreitinho e corremos para pegar o barco e voltar para Mykonos, faltando 10 minutinhos apenas.

Casa do Tridente
Construções todas em pedra
Andando pelas ruelas no Bairro do Teatro
Mosaico no chão da Casa de Dionísio (o original está no museu)

CAFÉ NA ILHA DE DELOS

Terminando a Linha Azul e seguindo rumo ao Museu, há um Café que serve alguns pratos prontos, saladas, sanduíches, salgadinhos industrializados e bebidas. Nós comemos um “cheese pie”, um tipo de pastel grego com massa folhada, e um café freddo, geladinho e feito na hora. Os preços são elevados (para os padrões da Grécia), já que é a única opção de alimentação em toda a ilha. Se preferir, leve um lanche na mochila e coma em uma das mesinhas.

Museu, à direita, e o Café, à esquerda

Uma coisa curiosa é que há uma população enorme de gatos andando pelas ruas da Grécia e, em Delos, não é diferente. Os gatinhos ficam todos concentrados na área do Café em busca de bons samaritanos que ofereçam comida. Ao lado do Café, ficam os banheiros, apertadinhos, rústicos, mas estão lá para atender às nossas necessidades.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES

Sítio Arqueológico de Delos

  • Endereço: Ilha de Delos, Grécia
  • Horários: diariamente de abril a outubro de 8h às 20h | Museu: de terça a sexta e domingo de 8h às 19h / sábado e segunda de 8h às 15h
  • Entrada: €12 (inclui visita ao sítio arqueológico + entrada no Museu)


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