Morando Fora: 1 ano e meio nos EUA

Na sessão “Morando Fora” do blog costumamos compartilhar um pouco das nossas vidas morando nos Estados Unidos. Parece que foi ontem que escrevemos aquele post “Reflexões após 1 ano morando nos EUA“. Pois é, não foi ontem, foi há 6 meses atrás! E hoje, dia 28 de dezembro de 2015, estamos completando exatos 18 meses aqui, um ano e meio morando nos EUA!

Ponte Golden Gate, cartão postal da região em que moramos

1 ANO E MEIO NOS EUA! COMO É NOSSA ROTINA?

Muita gente nos pergunta como é o nosso dia-a-dia nos Estados Unidos e, antes de mais nada,  é preciso desmistificar: morar nos EUA NÃO é chique ou glamouroso! Pode ser mais seguro, ter uma chance maior de ser respeitado, mas não tem nada de chique. Chique pode ser a vida das celebridades, estrelas de cinema, mas não de um cidadão comum, independente do país. Temos passado por muitas experiências e aprendizados por aqui. E, por este motivo, decidimos compartilhar um pouco sobre como é nossa rotina nos EUA, separando os assuntos em 10 tópicos.

1. Trabalho

O dia-a-dia aqui é como em qualquer lugar do mundo: as pessoas levantam cedo e trabalham. O Paulo levanta e vai para o escritório do Google, na sede em Mountain View e a Ana faz home office, trabalhando com o blog Casal Califórnia. Nós dois temos 8 horas de trabalho como tínhamos no Brasil. O Paulo está amando a experiência no Google, conhecendo gente inteligente, interessante e tendo desafios profissionais diferentes do que já havia enfrentado. A Ana está super feliz por poder se dedicar integralmente a uma atividade que ama e está programando uma série de melhorias para o blog (Aguardem muitas novidades para 2016!).

Leia nossos posts sobre o Google:
Paulo no Google

2. Serviços

Aí sim uma grande diferença do Brasil é que aqui nos Estados Unidos contratar prestadores de serviços é algo muito caro. Por isso, não temos empregada, diarista ou nada do tipo. Somos nós mesmos que limpamos nossa privada, passamos a nossa roupa e cozinhamos nossa comida, todos os dias sem exceção. Além disso, manicure é você mesmo que faz, é você que abastece o tanque do carro, que monta os móveis da casa e faz reparos, entre tantas outras coisas que estávamos acostumados com terceiros fazerem por nós no Brasil. Depois de um tempo, fica tão automático que você nem sente falta. É sério!

3. Entretenimento

Uma coisa que já fazíamos morando em São Paulo e continuamos fazendo nos Estados Unidos é ir ao cinema pelo menos uma vez por semana. Somos cinéfilos convictos e cinema para nós e mais do que diversão é um hábito. Além disso, morando aqui nós já conseguimos aproveitar outros eventos culturais e musicais: já fomos a shows de rock (U2, Foo Fighters e já temos tickets para o show do Metallica em fevereiro de 2016), Cirque du Soleil, teatro (o musical da Broadway “The Book of Mormon” e o musical “Amélie”, baseado no filme francês “As Aventuras de Amelie Poulian”), eventos esportivos como jogos de futebol, basquete, hóquei, etc.

Musical da Amélie Poulain
Musical da Amélie Poulain
Show da banda Foo Fighters
Show da banda Foo Fighters

4. Viagens

É inegável que sempre que sobra um tempinho, procuramos viajar. E viajar não significa ficar fora de casa por várias semanas seguidas, mas sim aproveitar o final de semana e ir para algum lugar a 4 horas de casa, fazer um bate-volta em cidades próximas ou até mesmo explorar a cidade em que moramos, Santa Clara, que vai sediar o Super Bowl 2016. Temos muita coisa para conhecer e temos aproveitado bastante qualquer tempo livre para fazer isso. E agora que compramos um carro (depois de 1 ano nos virando sem), estamos explorando muitas oportunidades.

Leia posts de algumas de nossas viagens:
Mais uma viagem para Las Vegas, uma de nossas queridinhas nos EUA

5. Amigos

O fato de não ter ninguém da família por perto, faz com que nos aproximemos ainda mais dos amigos. Mesmo depois que terminou nosso vínculo com a Universidade de Stanford, continuamos encontrando o pessoal que conhecemos lá, assim como amigos brasileiros e gente nova que conhecemos por aqui por conta de trabalho. Já participamos de muitos eventos com amigos, como almoços de confraternização, open house, jantares, aniversários, churrascos, cinemas, cinema + jantar, pizza em casa, chá de bebê, etc. Nós, vira e mexe, recebemos um hóspede muito especial, um lindo cãozinho de um amigo que sempre precisa viajar a trabalho, e que se tornou o nosso melhor amigo de quatro patas!

Nosso bebê Max
Momentos com o nosso “sobrinho” Max

6. Compras

Compramos muito menos do que quando morávamos no Brasil. Em 1 ano e meio, fomos uma única vez a um outlet para comprar camisas sociais para uma viagem do Paulo para Nova York durante o mestrado. E não voltamos mais até hoje. Compramos poucos móveis para a casa nova (todos da Ikea, uma famosa loja sueca de baixo custo). Usamos copos e pratos comprados no Walmart que nos atendem perfeitamente. E não vemos necessidade de ficar trocando eletrônicos pelo modelo de última geração todo ano. Não fazemos trocas de presentes em datas comemorativas (aniversário, Natal, aniversário de casamento, etc.) desde que nos casamos em 2008. A melhor parte é que comprando menos, sobra mais dinheiro para viajar e ter experiências diferentes!

Celebramos nosso aniversário de 11 anos juntos e aniversário da Ana no trem do vinho em Napa Valley. Dinheiro sendo usado em experiências!

7. Custo de Vida

O custo de vida que temos morando na Califórnia é MUITO MAIOR do que tínhamos morando em São Paulo, que é uma das cidades mais caras do Brasil. As empresas do Vale do Silício pagam bem, mas o salário é consumido em aluguel, contas da casa e supermercado. Não é moleza não e chega ser surreal! Atualmente, a cidade de San Francisco é a mais cara dos Estados Unidos com apartamentos de 1 dormitório cujo aluguel é, em média, US$ 3.300!!! Nós sempre tentamos cortar os supérfluos para economizar e poder viajar mais. Temos procurado ficar em hotéis mais baratos quando viajamos, buscado viagens mais econômicas e pacotes promocionais.

8. Conexão com o Brasil

Vira e mexe bate uma saudade do Brasil seja por conta da família e amigos, seja por conta da comida. Nessas horas a melhor coisa é ir a uma churrascaria brasileira (existem 4 pertinho de nós) ou falar português com amigos que moram aqui. A gente vai se virando como pode! O importante no processo de mudança é estar na nova terra “de corpo e alma”. Ficar com a cabeça no Brasil o tempo todo não é saudável para o processo de adaptação porque só conseguimos pensar no que perdemos, no que era bom e foi deixado para trás. Por isso, “bola para frente”!

Feijoada, pão de queijo e pudim de leite na Churrascaria Taurinus em San Jose
Feijoada, pão de queijo e pudim de leite na Churrascaria Taurinus em San Jose

9. Sentimento de Segurança

Os Estados Unidos está longe de ser um país perfeito e ainda falta muito para atingir as taxas baixíssimas de violência dos países da Escandinávia, por exemplo. Mas, é inegável que no nosso dia-a-dia aqui nos sentimos muito mais seguros do que no Brasil, mesmo com esses casos bizarros de tiroteios que acontecem com frequência. No nosso dia-a-dia não dá medo de sair na rua à noite, de atender o smartphone no meio da multidão, de usar um acessório qualquer com medo de ser assaltado. O medo constante de violência que nos acompanhava no Brasil fez nossa rotina mudar bastante por aqui.

10. Um processo constante de aprendizado

Se pudéssemos resumir a experiência de morar fora do Brasil é exatamente isso: um processo constante de aprendizado. A gente aprende todo dia, seja uma palavra nova que a gente ouviu em um programa de TV, seja a uma visita ao supermercado quando vemos pela primeira vez um produto que sequer sabíamos que existia, seja conhecendo as burocracias do processo de visto de imigração para residir nos Estados Unidos. A sensação constante de aprendizado nos motiva a continuar em frente e ter novas experiências sempre.

Fazendo o tour do estádio do Super Bowl 2016, em Santa Clara, no Vale do Silício
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