12 lições que aprendemos viajando

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Começar a viajar não foi algo tão natural para a gente. Nossas famílias nunca foram de viajar e não foi um hábito que adquirimos com pessoas próximas. Não viajamos para a Disney quando éramos crianças ou adolescentes. Na verdade, tivemos que esperar conseguir pagar as nossas próprias viagens para começar essa vida “pé na estrada”, porque nunca tivemos “paitrocínio”. Nossa primeira viagem internacional foi mais perto dos 30 do que dos 20 anos de idade. Mas, temos que confessar que começar a viajar com frequência mudou a nossa forma de encarar o mundo. De repente, tudo se abriu, tudo pareceu diferente e nos fez repensar em muitas coisas na vida. Neste post, compartilhamos 12 lições que aprendemos viajando e esperamos que incentive outras pessoas a viajar também.

12 LIÇÕES QUE APRENDEMOS VIAJANDO

1. Precisamos de muito menos coisas do que pensamos

Viajar leve. Essa é a dica que damos para todos que começam a viajar. E nós tivemos que aprender isso na prática mesmo. Na nossa primeira viagem para a Europa, viajamos com uma mala grande cada um. Foi terrível! É ruim para viajar de trem porque atrapalha demais, é caro para despachar em companhias aéreas de baixo custo (caso você faça voos internos). Além disso, vamos combinar que quem leva mala grande não costuma usar metade de tudo aquilo. Viajar com mala pequena nos ajudou em todos os aspectos e, com o tempo, percebemos que é possível sim passar alguns dias sem todos os cremes do mundo, sem todas as opções de casacos, vestidos e sapatos do armário. Isso ficou tão forte em nós que incorporamos isso para a vida. Temos muito menos coisas atualmente do que costumávamos ter há 5 anos atrás.

2. Criar memórias pelo mundo é um investimento em nós mesmos

Criar memórias pelo mundo é algo que não tem prazo de validade, é algo que nunca mais será esquecido, pois traz experiências, conhecimento, aprendizado. O que sempre dissemos para quem nos pergunta sobre viajar é “tenha mais histórias para contar e menos coisas para mostrar”. Mesmo em situações que tivemos problemas, algo não saiu como previsto, hoje lembramos desses “causos” e rimos muito. Viajar enriquece a alma e faz com que nosso conhecimento sobre o mundo se expanda.

3. É preciso ser flexível para lidar com o inesperado

Viajar faz disparar sua capacidade de improviso! Você vai passar por muitas situações inusitadas, inesperadas, surpreendentes…para o bem e para o mal. E ser flexível é o segredo. Já aconteceu de termos todo um roteiro planejadinho lindo e mudarmos totalmente de planos porque no meio do caminho, vimos algo muito bacana que nos interessou. Não fomos naquela super mega atração famosa, mas nos divertimos muito! É preciso ter cabeça aberta para o desconhecido e se permitir fazer coisas diferentes.

Curtindo a vista em Luxemburgo
Curtindo a vista em Luxemburgo

4. Problemas fazem parte de uma viagem

Viajar depende de um “jogo de cintura” absurdo! Seja com voos atrasado, cancelados, perrengues em hotéis, aquele museu incrível que fechou para reforma justo na época da sua viagem, problemas com mau tempo. Quem não passou por isso ainda, pode ter certeza que irá passar. E quer saber? Depois de um tempo você percebe o aprendizado absurdo que teve de lidar com situações que não estavam sob seu controle e, mesmo assim, fez da viagem um sucesso!

5. Gente bacana existe em todo lugar

Em qualquer lugar que você vá, independente se as pessoas têm fama de frias e grosseiras, pode ter certeza de que você vai ter uma “boa alma” para ajudar. Já passamos por situações surpreendentes de um alemão perceber que estávamos meio perdidos na estação de trem procurando a saída que nos levaria até o nosso hotel e ele, sem pestanejar, ofereceu ajuda, pegou a mala da mão da Ana e nos levou até a porta do hotel, com sorriso no rosto. Ou quando uma atendente não fala inglês e alguém vendo a situação se oferece para ajudar. Impagável ver como tem gente que nunca viu você (e nunca verá novamente) pode ser tão solícita. Em um voo da Europa para Nova York, batemos papo por horas com um americano muito simpático que estava sentado ao nosso lado. Por onde você olhar, vai ter alguém que queira ajudar.

Fazendo o tour do Parlamento Britânico em Londres
Fazendo o tour do Parlamento Britânico em Londres

6. Gente babaca existe em todo lugar

A mesma coisa vale para gente babaca: há em todo lugar. Mesmo em países com baixos índices de violência e alta escolaridade ainda existem os babacas. Para dar um exemplo, estivemos recentemente em Copenhagen, capital da Dinamarca, uma das cidades mais desenvolvidas do mundo e com altos índices de qualidade de vida. Pegamos um trem do aeroporto ao centro à noite. Quando chegamos à estação central, um grupo de homens (loiros, olhos azuis, um típico cudadão local) quis fazer uma brincadeirinha na plataforma. Um deles abaixou a calça e começou a urinar nos bancos onde os passageiros esperam pelo trem. Pois é, país de primeiro mundo e tem babaca!

7. Experiências trazem muito mais felicidade do que coisas

Vários estudos comprovam que a felicidade trazida por coisas é passageira. Comprou a bolsa dos sonhos? Pode ter certeza de que em alguns anos (ou meses) essa felicidade toda vai passar, você se acostuma. Celular, computador, televisão, carro…tudo será trocado um dia, e cada vez mais rápido. Conhecer algo novo, aprender sobre uma cultura diferente, provar um prato que jamais imaginou provar, ir a um lugar que nem sabia que existia…pode ter certeza que cada experiência ajuda você a se tornar alguém melhor, alguém que conhece melhor a realidade do mundo e das pessoas.

8. O mundo é muito diferente daquilo que mostram na TV

Talvez este ponto seja o que mais nos surpreender quando começamos a viajar. Vimos que muita coisa que tínhamos visto na TV e imaginávamos como era, na verdade, era diferente. Você pode passar a vida toda com o julgamento que as pessoas fazem sobre coisas, lugares, pessoas, comidas ou ir até lá e tirar as suas próprias conclusões, ter a sua própria opinião. Livre-se das suas premissas e julgamentos e vá conferir de perto como é a realidade do mundo.

Nós em Cambridge, muito mais linda do que nos filmes
Nós em Cambridge, muito mais linda do que nos filmes

9. Perdemos medos e nos sentimos mais livres

Viajar nos dá uma sensação de liberdade incrível, passamos nos sentir cidadãos do mundo. Parece que o horizonte se abre e que somos capazes de fazer muito mais do que imaginávamos. Como se virar em um país que fala holandês, tcheco, russo, dinamarquês, sueco? A sensação de frio na barriga de conhecer algo completamente desconhecido libera uma adrenalina dentro de nós que nos faz ter atitudes mais corajosas. Viajar nos faz sair constantemente da zona de conforto e amplia as possibilidades.

10. Sempre há algo novo para aprender

O hábito de viajar nos faz questionar muitas coisas. E questionar faz parte de qualquer aprendizado. Tudo que aprendemos na escola sobre um lugar, ou vimos uma reportagem no jornal é superficial. Estar em um lugar diferente, abre as nossas perspectivas sobre aprendizado. Na nossa mudança da Califórnia para a Europa, chamamos um Super Shuttle, para nos levar para o aeroporto de San Francisco. E lá estávamos nós conversando como o motorista quando ele nos fala que é iraniano. Ainda não tivemos a possibilidade de visitar o Irã, mas aproveitamos a oportunidade para fazer algumas perguntas para ele, que já estava morando nos EUA há muitos anos e que vivenciou histórias tristes em sua terra natal. Foi fantástico ouvir um iraniano nos contar sobre o ponto de vista dele sobre a Revolução Islâmica de 1979. Esse é apenas um exemplo do que sempre falamos: SEMPRE há algo novo para aprender. Não se julgue o dono da verdade porque você já estudou sobre o assunto, já foi ao lugar. Sempre há alguma informação nova que pode fazer você pensar em algo que nunca tinha pensado, rever pontos de vista ou reforçá-los com novos argumentos.

11. Aprendemos a dar valor ao que nosso país tem de bom

Brasileiro adora falar mal do Brasil. Adora tanto que parece que o país é o pior lugar do mundo. Ok, vamos combinar que poderia ser melhor, né? Sim, poderia mesmo! Mas não custa nada valorizar o que temos de bom, né pessoal. Nós nos mudamos do Brasil por questões de oportunidades, não porque odiamos o nosso país. O Brasil tem problemas crônicos de violência, corrupção e má gestão. Mas, quando você passa um tempo fora, sente falta de tanta coisa boa. Família, amigos, culinária, e tantas outras coisas.  Temos os melhores hábitos de higiene do mundo, comida variada e farta! As pessoas não dão o devido valor  a certas coisas porque têm acesso fácil. Só quem passa um tempo fora sabe como é difícil ficar sem coisas simples como um suco de fruta feito na hora. O brasileiro é um povo solícito, bem humorado. E tem gente babaca? Sim, com certeza! Mas, com certeza, tem muita gente bacana também.

12. Viajar se torna um vício

Uma vez que você é mordido pelo mosquitinho transmissor do vírus do vício em viagem, você está condenado. É uma doença incurável e você vai cada vez mais querer desbravar novos horizontes, provar novos sabores, sair da sua zona de conforto e ir para um país que você não domina o idioma, que não gosta da comida, que tem hábitos diferentes dos seus. E tudo isso gera desconforto incialmente. Sair da rotina é ao mesmo tempo, difícil e motivador. Uma vez que você começa a enxergar outras visões de mundo, você não quer parar e o escritor Mark Twain explica direitinho o porquê:

“Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e as ideias ilimitadas; e só por isso muitas pessoas precisam viajar. Não se pode ter uma visão ampla, abrangente e generosa dos homens e das coisas vegetando num cantinho do mundo a vida inteira.”

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