Alemanha: Campo de concentração modelo em Dachau

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Neste post compartilhamos os sentimentos de visitar o Campo de Concentração em Dachau, o primeiro Campo de Concentração Nazista da história, que serviu de modelo para os demais campos que vieram em seguida. Um lugar triste, agoniante, e repleto de histórias que os alemães não querem esquecer para não permitir que se repitam.

A DECISÃO DE VISITAR O CAMPO DE DACHAU

Levei muito tempo para ter coragem para escrever este post da nossa visita a Dachau em 2012. Lembro como se fosse hoje o marido, inicialmente, criticando a minha decisão de visitar um Campo de Concentração. “Você é louca? Por que usar um dia das nossas tão aguardadas férias para isso?” E eu respondi: “Férias não servem só para se divertir, servem para viver uma experiência diferente, para aprender, para estar mais perto da história do lugar e do mundo.”

Placa na entrada do Campo de Concentração de Dachau

E lá fomos nós fazer um bate-volta de Munique (veja o post: Alemanha: O que fazer em Munique – Roteiro de 5 dias) até a cidade de Dachau meio a contra-gosto dele. Ainda não tivemos a oportunidade de visitar Auschwitz, na Polônia, mas está na lista. Depois de conhecer o primeiro campo de concentração da história, pretendemos (vou levar o marido junto de novo!) visitar o maior deles. E, provavelmente, sentirei uma agonia ainda maior do que senti em Dachau.

COMO VISITAR O CAMPO DE DACHAU

  • TREM + ÔNIBUS: Chegar ao Campo de Dachau é relativamente simples. É preciso pegar o trem S2 (sentido Dachau/Petershausen) que leva da estação de Munique até a estação de Dachau (compre tickets no site da Deutsch Bahn). A viagem de trem leva cerca de 25 minutos. Chegando na estação é preciso pegar o ônibus 726 (sentido Saubachsiedlung) até o KZ-Gedenkstätte (nome em alemão do Campo). Compre o ticket para um dia “München XXL” que dá direito à viagem de trem + ônibus em Dachau. Veja o site MMV München para mais informações. Indo por conta, você terá o tempo que quiser para conhecer o local e explorar a exposição. Não custa absolutamente nada para entrar.
  • COM GUIA: Depois de pesquisar, resolvi sair com um guia de Munique para Dachau e achei que valeu muito a pena. Era uma excursão com um grupo pequeno usando os mesmos meios de transporte (trem + ônibus) que se fôssemos por conta. A diferença é que teríamos um alemão nato para nos contar um pouco da história e nos guiar com explicações detalhadas pelos principais locais do Campo. Por isso, achamos que valeu a pena pagar. O nosso guia era ótimo e tirou várias dúvidas que surgiram durante a visita. Quem tiver interesse em ir com um guia, o tour que contratamos foi esse aqui: “Excursão totalmente guiada ao Memorial do Campo de Concentração de Dachau saindo de Munique“. O tour dura 5 horas e o valor já inclui transporte público.

A CIDADE DE DACHAU

Dachau é uma pequena cidade de 45 mil habitantes, localizada a 20 km a noroeste de Munique, no sul da Alemanha, fundada no século IX. Embora seu simpático centro histórico tenha um castelo, todo mundo que vai a Dachau tem como destino principal visitar o infame Campo de Concentração.

O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE DACHAU

O Campo de Concentração de Dachau foi o primeiro campo de concentração aberto pelos nazistas na Alemanha e esteve operante entre os anos de 1933 a 1945, quando foi descoberto por tropas americanas. Estima-se que passaram por lá mais de 188 mil pessoas (32 mil mortes documentadas e milhares não documentadas). Aproximadamente 30 mil pessoas foram libertadas com o fim da Segunda Guerra Mundial.

Entrada principal do Campo

O Campo se localiza no terreno de uma antiga fábrica de munições, no antigo centro medieval da cidade. Inaugurado em 1933 por Heinrich Himmler, o propósito incluía trabalho forçado na fábrica de munições e a construção de um complexo para abrigar 6 mil pessoas. O local  foi usado como um campo de treinamento para os soldados da SS (Polícia Nazista) e se tornou um modelo para os outros campos de concentração, sendo usado como prisão de judeus, criminosos comuns alemães e austríacos e, finalmente, cidadãos estrangeiros de países que a Alemanha ocupou ou invadiu.

Uma das torres de guarda do Campo

Nos anos do Pós-Guerra o Campo de Dachau serviu para prender soldados da SS que esperam julgamento por seus crimes de guerra. Depois de 1948, o local foi usado como uma base militar dos Estados Unidos durante a ocupação da Alemanha. Em 1960, as atividades do Campo foram encerradas e, em 1965, o Memorial foi aberto ao público.

O QUE CONHECER NO CAMPO DE DACHAU

O mapa abaixo mostra a localização das áreas do Campo de Concentração de Dachau. Há um centro de informações em que é possível alugar um audio guide (tem em português). Como estávamos acompanhados por um guia, pulamos a parte do audio guide e fomos direto conhecer o complexo.

Mapa do Campo de Concentração de Dachau. Figura: site oficial
  • Logo na entrada do campo há um portão (número 2 no mapa) como os dizeres “Arbeit macht frei” (O trabalho liberta, em alemão), que era o slogan da propaganda nazista. O portão havia sido roubado em 2014 e foi encontrado na Noruega no final de 2016.
O portão com o slogan “O trabalho liberta”
  • No prédio principal (onde estão as letras de A até G no mapa) há exposições explicando o contexto da Segunda Guerra Mundial, do nazismo, as condições de vida no campo de Dachau, prisioneiros e muitos detalhes sobre o dia-a-dia no campo. Há inclusive uma área que exibe um filme sobre o local.
Área de exposição
Prisioneiros de Dachau por nacionalidade
  • O principal memorial chamado “International Monument” (#5 no mapa) é bastante comovente. Feito pelo artista Nandor Glid (cujos pais foram mortos em Auschwitz), em 1968, ele representa corpos contorcidos uns sobre os outros.
O chocante monumento no centro em destaque no Campo
  • Há uma área com celas para prisioneiros (#6) que fica próximo ao prédio principal. Vimos algumas destas celas e ficamos aterrorizados com as histórias contadas pelo nosso guia. Uma delas é que havia salas que eram tão apertadas que não permitiam que o prisioneiro conseguisse se sentar.
Local onde ficam o prédio principal (com exposição) e as celas para os presos
Corredor das celas
Visão de uma das celas
  • Muita coisa mudou da época em que os prisioneiros ficavam lá. Os barracões em que eles eram alojados foram demolidos devido às más condições e apenas dois foram reconstruídos (#7) para mostrar o horror de viver sem nenhum respeito à dignidade humana. Os outros 32 galpões que não foram reconstruídos possuem indicações no chão feitas por fundações de concreto.
Dentro de um dos alojamentos reconstruídos
Área dos galpões demolidos
Bate uma tristeza grande visitar o local
  • O memorial ergueu algumas capelas para representar as várias religiões seguidas pelos prisioneiros. São elas: Capela dos Ortodoxos Russos (#11), Igreja Protestante da Reconciliação (#12), Capela Católica da Agonia Mortal (#13), Convento Carmelita (#14), Memorial Judeu (#15).
Capela Católica
Memorial Judeu
  • A área indicada pelo número 10 no mapa foi a que me causou mal estar durante a visita: o crematório. Para chegar até o local, passa-se por uma pequena ponte. Há salas que poderiam ser usadas para matar os prisioneiros com gás letal (embora, aparentemente, nunca tenham sido usadas para este fim). Há também uma sala em que os corpos eram empilhados para serem levados para serem cremados. A hora que o nosso guia nos levou à sala dos corpos empilhados, eu tive que sair tomar um ar e perdi parte da explicação. Não comecei a me sentir bem porque parecia que havia um cheiro forte que me incomodou muito. Além disso, pensar em tudo o que aconteceu ali, causou-me muito desconforto.
Crematório
Local onde fica o crematório e câmara de gás
Crematório
Câmaras de gás

VALEU A PENA TER IDO?

Com certeza! Muita coisa que aprendemos nos livros de história estavam diante dos nossos olhos sendo contados pelos próprios alemães. Uma coisa interessante que percebemos visitando museus dedicados à guerra e visitando esse memorial é que o povo alemão não quer esconder seu passado, porque todo mundo sabe das atrocidades cometidas. Eles se envergonham disso tudo e não querem que a história se repita nunca mais. Pessoalmente, visitar um campo de concentração é uma lição de vida, um aprendizado gigantesco. Reclamamos de tanta coisa insignificante no nosso dia-a-dia, que uma visita assim nos faz repensar muita coisa e a dar valor ao que realmente importa.

Uma homenagem a todos que resistiram ao nazismo por um mundo de liberdade e respeito

INFORMAÇÕES IMPORTANTES

KZ-Gedenkstätte Dachau Concentration Camp Memorial Site

  • Endereço: Alte Römerstraße 75, 85221 Dachau, Alemanha
  • Horários: diariamente de 9h às 17h
  • Entrada: gratuita / estacionamento €3 por carro / audio guide €3,50


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