Califórnia: A experiência de sentir mais de 50ºC no Death Valley

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Ter sentindo pela primeira vez na vida uma temperatura superior a 50ºC foi algo tão surreal que decidimos criar um post para compartilhar essa experiência, no mínimo, curiosa. Nos posts anteriores demos dicas de passeios, dicas de hospedagem e como visitar a principal atração do Death Valley, o Scotty’s Castle. Agora achamos justo relatar a experiência de sentir mais de 50ºC no Vale da Morte, na Califórnia.

A temperatura inacreditável do lugar mais quente do mundo: Death Valley. O recorde histórico é de 56,7ºC! Haja calor!
A temperatura inacreditável do Death Valley

Antes de entrar no detalhe do que sentimos ao nos expormos a essa temperatura inacreditável, fomos procurar entender os motivos que levam o Death Valley ser absurdamente quente.

Segundo cientistas e meteorologistas que estudam a região, o maior motivo por trás deste mistério é a elevação do Vale. Muitas áreas estão abaixo do nível do mar (no caso mais extremo -86 metros na região do Badwater Basin), e a região fica a 400 km de grandes porções de água. Além disso, a cadeia montanhosa de Sierra Nevada bloqueia os ventos provenientes do Oceano Pacífico. As condições geológicas fazem com que a radiação solar deixe o ar extremamente quente e seco na região.
Existem outros fatores que impedem que o ar se movimente, entre eles o fato de o vale ser estreito, impedindo que o ar circule tanto para dentro como para fora do Vale. Há pouca vegetação para absorver os raios solares e há o Deserto de Mojave nas proximidades. No entanto, no inverno o local pode ficar bastante frio (há registros de temperaturas negativas) porque o deserto não retém o calor quando o ar circundante esfria. As plantas e os animais da região precisam se adaptar muito bem para conseguir sobreviver em um ambiente tão hostil.
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Informações sobre as condições extremas e recorde de temperatura no Death Valley em um painel exposto no Ranch at Furnace Creek.

Como foi sentir mais de 50ºC no Death Valley

Tendo entendido os motivos que provocam esse calor sem noção na região, dá para imaginar que o primeiro contato que tivemos foi chocante. Depois de um dia de viagem, chegamos ao nosso hotel em Furnace Creek e quando saímos do carro nos sentimos sufocados. Corremos para a recepção e fizemos o check in. Quando estacionamos o carro para tirar as malas e levá-las para o quarto, conseguimos sentir melhor aquele calorão. Embora já fosse quase 18h, o sol era forte (o pôr-do-sol seria apenas às 20h30) e eram apenas os primeiros dias do verão no hemisfério norte. É difícil explicar a sensação, pois é como estar em uma sauna, muito seca, que compromete a respiração. Não existe possibilidade de ficar se expondo ao sol por mais de 3 minutos. Tudo gira em torno de buscar o próximo lugar com ar condicionado. Do quarto para o carro, do carro para o restaurante, do restaurante para o carro, do carro para o quarto novamente.

À noite, achávamos que a temperatura melhoraria, mas ela baixou de 51ºC para 47ºC e, mesmo no escuro total, a sensação de sufocamento permanecia. O vento soprava muito muito quente, atrapalhando mais do que ajudando. Como comentamos no post sobre nossa hospedagem, nosso hotel ficava em um complexo que contava com 3 restaurantes. Do nosso quarto até o local em que ficavam o restaurantes era preciso andar em torno de 150 metros o que era simplesmente impossível para nós. Mesmo à noite, nós pegávamos o carro para andar os 150 metros para chegar ao local. O ar condicionado é indispensável para conseguir respirar.

O vento no Death Valley é forte em algumas regiões, mas muito quente.
O vento no Death Valley é forte em algumas regiões, mas muito quente.
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O único local do Death Valley com vento forte e não muito quente foi no Ubehebe Crater.

E como fazer passeios nesta área tão inóspita? A região em que ficava o hotel em que estávamos hospedados é a mais quente de todo o Death Valley (foi nela que foi registrado o recorde histórico de 56,7ºC). Existem regiões que são até 10ºC menos quentes do que em Furnace Creek Ranch. Por exemplo, quando visitamos o Scotty’s Castle que retratamos neste post, a temperatura era de 49ºC em Furnace Creek e 39ºC na região do castelo. Lá, ficar na sombra não era insuportável como era em Furnace Creek.

Este foi o único lugar que conseguimos ficar sentados à sombra no Death Valley. Estávamos aguardando o início do tour dentro do Scotty's Castle debaixo de um sol de 40ºC.
Este foi o único lugar em que nos sentamos à sombra no Death Valley e conseguíamos respirar. Estávamos aguardando o início do tour dentro do Scotty’s Castle debaixo de um sol de 39ºC, a temperatura mais baixa que enfrentamos no parque.

No entanto, a maior parte dos passeios que fizemos ficava na região de Furnace Creek e para que pudéssemos aproveitar nossa passagem pela região, nossa estratégia era descer do carro e fazer tudo em no máximo 3 minutos porque a pele começava a queimar e já não havia mais saliva na boca depois deste tempo. O segredo é beber muita água e não esquecer do filtro solar. Caso necessário, voltávamos para dentro do carro, recuperávamos e depois saíamos do carro para tirar mais fotos.

Para quem vê a Ana toda sorridente nesta foto, não sabe o sacrifício que foi tirá-la na área do Artist's Palette. A Ana não conseguiu fazer uma pequena trilha porque a pele queimava e teve que voltar para o carro, pois não conseguia respirar.
Para quem vê a Ana toda sorridente nesta foto, não sabe o sacrifício que foi tirá-la na área do Artist’s Palette. A Ana não conseguiu fazer uma pequena trilha até as pedras coloridas. A pele queimava e ela foi obrigada a voltar para o carro, pois não conseguia respirar e já estava sem saliva em questão de 2 minutos.

CURIOSIDADE: Você sabe por quê suamos? Suamos para regular a temperatura corpórea e, assim, mantê-la em torno de 36ºC e dissiparmos o excesso de calor pelos poros. No entanto, a temperatura de 50ºC em um ambiente seco não permite que você fique suado! Como? Uma informação que vimos na página oficial do parque no Facebook sugere que o calor é tão intenso que o suor evapora sem você notar que está transpirando. É por isso que é muito importante beber muita água, porque você desidrata sem sequer perceber! A recomendação feita pelas autoridades responsáveis pelo parque é que cada pessoa beba no mínimo 3 litros de água por dia.

Depois do primeiro dia que ficamos em choque, o corpo foi acostumando um pouco mais com a sensação, mas não deixou de ser desagradável. Em um dos passeios que mencionamos no post sobre as atrações no Vale, citamos a dificuldade de chegar ao Zabriskie Point, pois era uma subida de aproximadamente 100 metros e acabamos com uma garrafinha de 500 mL de água em poucos minutos devido ao sol forte e ao esforço respiratório que nos fez chegar ofegantes após poucos metros caminhados.

Os poucos metros que separam o estacionamento do mirante do Zibriskie Point.
Os poucos metros que separam o estacionamento do mirante do Zabriskie Point

Para quem visita a região a nossa dica é conhecê-la no inverno, pois as temperaturas são mais amenas. O verão no Death Valley é realmente cruel, mas não nos arrependemos de ter ido nesta época, pois tivemos a oportunidade de sentir o que são os 50ºC em um dos lugares mais inóspitos do mundo! É realmente insano! E até bateu uma saudade da sensação de -30ºC  na nossa viagem para Aspen, no Colorado!

E aí, topa enfrentar o calor do Death Valley?


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