Nossas vidas após 4 anos morando fora do Brasil

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Era sábado, 28 de junho de 2014. Nós desembarcávamos no Aeroporto Internacional de São Francisco por volta de meio-dia no horário local. Enquanto isso, no Brasil, todos ligados no estádio do Mineirão onde ocorria o jogo entre Brasil e Chile pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Jogo empatado, prorrogação. Nós chegamos a tempo de ver os pênaltis na televisão de um dos bares da área de desembarque do aeroporto. Muitos gringos torcendo contra, é claro. Prometi a mim mesma não criticar nunca mais o Júlio César depois de ele ter defendido não um, mas dois pênaltis naquele jogo. Sim, eu me lembro daquele dia como se fosse hoje. Cada detalhe. Chegando a um país em que não sabíamos exatamente onde iríamos morar, cheios de dúvidas, de receios, mas também animados e repletos de expectativas pela nova vida que se iniciava.

Chegada ao aeroporto de San Francisco em 28 de junho de 2014

E qual o motivo desta lembrança agora? Porque 4 anos depois, estamos passando outra Copa do Mundo fora do Brasil. Desta vez, muito mais calejados e experientes do que a anterior. Em 4 anos fora, moramos em 2 países (Estados Unidos e Inglaterra) e 4 cidades (Stanford, Santa Clara, Londres e Mountain View) diferentes. E o balanço de tudo isso? Extremamente positivo.

Parênteses: Eu não assisti ao 7×1 porque estava em aula na Universidade de Stanford no horário do jogo. Estava super chateada por não poder ver a partida porque sou louca por futebol e ainda mais por Copa! Mas, confesso que sinto um alívio enorme por não ter nenhuma recordação de como a Copa 2014 terminou para o Brasil! 😛

4 ANOS MORANDO FORA DO BRASIL

Todos os anos quando celebramos um novo aniversário morando fora do Brasil, gosto de falar um pouquinho sobre como nos sentimos e o que mudou. Sempre é um post mega pessoal, contando um pouquinho do que temos vivido e das nossas percepções. Tento tomar cuidado para não ser repetitiva e escrever algo semelhante ao que escrevi no ano anterior. Afinal, as experiências e mudanças nunca são isoladas, elas são somadas. E a adição de todas elas que nos faz ser quem somos hoje. Temos consciência de que mudamos muito desde que nos saímos do Brasil, e encaramos isso de maneira super positiva. Mudamos tanto a nossa forma de pensar e encarar diversos assuntos que às vezes até ficamos assustados. Há algum tempo comento sobre o processo de desapego pelo qual passamos desde 2014.  No post do ano passado, comentamos sobre como nossa mudança gradual nos conduziu ao minimalismo. Neste post, abordaremos 3 temas que foram os principais que nos acompanharam neste último ano: a volta para a Califórnia depois de quase 2 anos morando em Londres; nossa mudança alimentar, que envolveu muito mais do que substituir alimentos; e, finalmente, nosso aniversário de 10 anos de casamento, em que tivemos oportunidade de conhecer um novo continente.

1. MUDANÇA DE PAÍS: EUA X INGLATERRA

Uma das coisas que mais marcou o nosso ano foi nossa (nova) mudança de país. Relatamos tudo no post “Até logo, Londres! Chegou a hora de voltar à Califórnia“. Gostar de morar em um local é algo extremamente pessoal. Nós nos adaptamos tão bem à vida em Londres que foi difícil tomar a decisão de voltar à Califórnia. Confesso que acho praticamente tudo lá melhor do que na Califórnia (exceto o clima, que mesmo assim nem é tão ruim). Vai ter que gente vai discordar da minha opinião? Sim, e okay! Isso não significa que existe certo ou errado, só pessoas com objetivos, prioridades e gostos diferentes. Nós moramos em ambos os lugares por um tempo suficiente para fazer a nossa avaliação como moradores de fato (aqueles que pagaram impostos, alugaram apartamento, abriram conta em banco, utilizaram o sistema de saúde, etc). Conseguimos ver o lado bacana e também o burocrático e falho de ambos os lugares. E, para a nós, morar em Londres tem muito mais vantagens do que morar na Califórnia porque nos identificamos com os valores e estilo de vida. E olha que eu sei que a Califórnia é um dos melhores lugares do planeta para morar, viu?

Nós em Londres

No entanto, eu sinto saudades absurdas de Londres. Sinto falta da cultura, dos museus gratuitos, das exposições, dos eventos. Sinto falta da variedade de restaurantes, da vida noturna, de uma cidade que se renova sem parar e sempre tem novidades. Sinto falta do transporte público de altíssima qualidade que me levava para um lado e para outro. Sinto falta da diversidade, de andar na rua e ver pessoas de todas as cores e credos, de escutar os mais variados idiomas. Sinto falta de estar na Europa, e poder pegar um voo e, em 2 horas, chegar a um país totalmente diferente para aprender coisas novas. Costumo dizer que cada vez mais tempo que moro nos Estados Unidos, mais tenho certeza de que o lugar certo para mim é a Europa. É aquela sensação de se “sentir em casa”, sabe? Quem sabe um dia a gente volta, não é mesmo? Vontade não falta!

2. ALIMENTAÇÃO

Esse blog não é e nem pretende ter como tema alimentação e nutrição. Não somos profissionais no assunto e não temos intenção de receitar nada para ninguém (sempre procure um profissional para ajudá-lo!). Mas, vamos compartilhar um pouquinho  sobre uma grande transformação que temos vivido no último ano.

Depois da nossa viagem para a Grécia, em junho do ano passado, voltamos e fomos ver as fotos. Ficamos chocados! Sabe quando você perde a noção da imagem de si mesmo? Sim, estávamos relaxados, com um peso muito maior do que em nenhum momento de nossas vidas. Esse foi o primeiro sinal de que tínhamos que tomar uma atitude. Não só resolvemos mudar nossos hábitos, como começamos a estudar sobre nutrição. Assistimos a pelo menos uma dúzia de documentários, lemos 5 livros escritos por profissionais da área de saúde respeitados nos Estados Unidos (entre eles o fantástico “The China Study” – o estudo mais completo sobre nutrição já feito no mundo – do americano T. Colin Campbell, Ph.D em bioquímica, nutrição e metabolismo). Também começamos a “fuçar” no site da Organização Mundial da Saúde e procuramos por artigos científicos publicados por pesquisadores de universidades conceituadas no mundo. Esse processo, que completou 1 ano agora em junho de 2018, nos levou a adotarmos uma alimentação vegana, algo que NUNCA, JAMAIS imaginávamos que poderíamos ser adeptos. Não foi algo que aconteceu da noite para o dia, é claro. Foi um processo gradual a medida em que fomos adquirindo mais informações a respeito. Quanto mais aprendíamos sobre nutrição, mas ficávamos chocados com a nossa ignorância sobre o assunto.

Bem mais rechonchudos na Grécia em junho de 2017

Porque veganismo…

Passar a ter uma alimentação vegana é uma decisão tomada analisando uma série de aspectos, sendo que a crueldade animal é apenas um deles. Envolve questões ambientais (a pecuária utiliza a água de forma irracional, desmata florestas para se tornarem pastos, e causa impactos na camada de ozônio devido à liberação de altas quantidades de gás metano); questões de saúde (muitos estudos mostram que alimentos de origem animal estão, de alguma forma, ligados às causas de doenças como diabetes, doenças coronárias, obesidade, osteoporose, doenças auto-imunes e diversos tipos de câncer); questões empresariais (manipulações feitas pela indústria de alimentos, farmacêutica e de planos de saúde para sempre terem uma população viciada em junk food, doente e altamente lucrativa); e questões políticas (propinas e lobbies pagos a políticos para que implantem políticas públicas que beneficiam os lucros das grandes empresas, em detrimento da saúde e bem-estar da população). Além disso, aprendemos mais sobre alguns mitos inventados pela indústria da propaganda que coloca como indispensável o consumo de leite e carne, como fontes inquestionáveis de cálcio e proteína (Já viram o post sobre como ovos e bacon se tornaram o café da manhã americano?).

Muito mais esbeltos na Austrália em maio de 2018: somados, eliminamos 33kg

Aqui na Califórnia há diversas empresas start-ups focadas em produzir produtos a partir de ingredientes vegetais e temos nos surpreendido com o que estamos provando. Hambúrguer feito de proteína de ervilha que parece carne de verdade (Beyond Burger e Impossible Burger), leites (de coco, amêndoas e castanhas em geral) e queijos vegetais feitos de castanha de caju (Follow Your Heart, Myioko’s). No entanto, tomamos cuidado ao comer tudo o que não vem diretamente da natureza porque vegano não é sinônimo de saudável. Por isso, sempre tentamos comer alimentos que não são de origem animal E são saudáveis, excluindo excessos de gordura, açúcar e sal na nossa alimentação.

Nossa alimentação…

De forma resumida, na maior parte do tempo, procuramos ter uma alimentação “whole food plant-based”, basicamente baseada em vegetais, legumes, raízes, frutas, castanhas e grãos integrais. Não comemos nada congelado ou enlatado por serem produtos repletos de conservantes, aromatizantes e diversos itens artificiais. Além disso, priorizamos os alimentos orgânicos e os não geneticamente modificados. Mesmo quando queremos comer alguma “besteira”, ela sempre é vegana, como os exemplos citados anteriormente de hambúrgueres e queijos vegetais. Dá trabalho ter uma alimentação livre de produtos de origem animal? Menos do que imaginávamos! E olha que nenhum de nós dois gosta muito de cozinhar, mas sempre nos revezamos na cozinha.

Paella vegana no restaurante Cascal em Mountain View, Califórnia

Nossa alimentação é perfeita? Pode ter certeza de que não! Sempre a algo a aprender e melhorar. Mas, não temos dúvida de que é muito melhor do que a que tínhamos até pouco tempo atrás. Nosso processo começou há apenas 1 ano e estamos ansiosos por ler mais, descobrir novos sabores e temperos que jamais imaginávamos existir. Não perdemos o prazer de comer, estamos reaprendendo a comer de forma consciente. Morando fora e viajando bastante, temos a oportunidade de conhecer mais sobre outras culinárias. Somos loucos por comida mediterrânea e o Paulo não dispensa os pratos indianos. Diferentemente de dietas para emagrecer que fizemos no passado que nos davam a sensação de privação, desconforto e fome, ter uma alimentação vegana nos dá uma sensação de bem-estar e não sentimos fome porque não temos cota de calorias ou quantidades consumidas.

Felizes com os novos hábitos

3. 10 ANOS DE CASADOS

O ano de 2018 também marca uma data importante: nosso aniversário de 10 anos de casamento! Como comentado no post “10 anos casados: celebração na Austrália e Nova Zelândia“, várias ideias de lugares surgiram para pode comemorar esta data e acabamos fazendo uma viagem para a Oceania, conhecendo algumas das principais atrações da Austrália e Nova Zelândia. Na verdade, essa viagem foi uma bela desculpa para celebrar a data que considero a mais importante no ano. Assim que nos conhecemos, há quase 14 anos atrás, eu sabia que havia algo especial no nosso relacionamento. O Paulo é mais do que meu marido, é meu melhor amigo, uma pessoa em quem eu confio e admiro muito. Nos dias de hoje, temos que dar cada vez mais valor às pessoas que nos apoiam, nos respeitam, e nos auxiliam em todas as situações.

O fato de morarmos fora, longe da família e das amizades que fomos fazendo ao longo dos anos, acabou nos fortalecendo muito como casal. Estar longe de tudo, em um lugar repleto de desconhecidos tem seus ônus, é claro. Sabemos que temos somente um ao outro com quem contar no dia-a-dia e isso é algo que causa um impacto enorme em um relacionamento. E acho que esse tem sido o segredo para nós: o respeito e o apoio mútuo em todas as circunstâncias. Nesses 4 anos morando fora do Brasil, passamos por tanta coisa, enfrentamos tantos desafios, aprendemos tantas coisas juntos! O que podemos desejar? Muitos mais anos de aprendizado e companheirismo! Muitas aventuras pelo mundo ainda nos aguardam e estamos ansiosos por elas! Que venham mais anos e mais Copas do Mundo pela frente! 🙂


O que já escrevemos sobre morar fora (em ordem cronológica):

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