Aprendizados após 3 anos morando fora do Brasil

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Estamos completando mais um aninho morando fora do Brasil! Quem diria, hein? Neste post, compartilhamos um pouco dos nossos sentimentos, aprendizados, mudanças e muito mais após 3 anos morando fora do Brasil. Vem com a gente?

3 ANOS MORANDO FORA DO BRASIL

Olha, se usássemos a frase chavão “parece que foi ontem” estaríamos mentindo. A verdade é que depois de três anos, parece que faz mais tempo ainda. A gente vai perdendo um pouco a noção do tempo porque morar fora é um processo de mudança tão intenso (em todos os aspectos da vida) que parece que são necessários muitos anos para absorver tamanho aprendizado. Morar fora tem seu lado bom, é claro (e é por isso que continuamos aqui). Mas, não é nada fácil, exige um esforço tremendo de paciência, adaptação e resiliência. E ninguém está preparado para algo que não conhece, não é mesmo? Vai aprendendo na prática, batendo cabeça. Por um lado, o Brasil vai ficando cada vez mais distante. Não participamos mais de eventos de família, vão ficando cada vez mais raros os contatos com amigos e ex-colegas de trabalho. Você deixa de fazer parte da vida das pessoas e elas, da sua. “Sad, but true.”

Califórnia: nosso primeiro lar fora do Brasil

Por outro lado, tanta coisa nova acontece na sua vida, tantas sensações e experiências diferentes. É difícil explicar como esse processo de transformação é intenso e como nossa visão de mundo se amplia com essa experiência. Essa, definitivamente, não é uma experiência que recomendamos para todos, porque é dolorosa, incômoda. Morar fora significa que tudo é novidade, mas tudo exige um esforço enorme para fazer. Ninguém os preparou, nos deu o “caminho das pedras”. É cansativo, difícil, mas ao mesmo tempo motivador, divertido. Você tem que estar preparado para ficar incomodado com frequência e, depois de um tempo, isso vira a sua rotina.

Londres: nossa atual casa fora do Brasil

Não vamos ficar fazendo comparações com o Brasil e dizendo o que tem de melhor ou de pior em relação ao exterior. Já ouvimos pessoas raivosas achando que qualquer cidade em países desenvolvidos é melhor do que viver no Brasil…grande engano! Nosso objetivo neste momento é falar sobre o que temos conseguido aprender com essa experiência. Uma das coisas mais bacanas é a oportunidade de conhecer pessoas do mundo inteiro! Conseguimos ouvir o ponto de vista deles sobre diversos assuntos. Isso abre a nossa cabeça para pensar e questionar de forma totalmente diferente. Não temos dúvida, de que isso é um dos principais fatores que nos tem feito mudar tanto a nossa visão das coisas ao longo desses últimos 3 anos. Estamos muito mais tolerantes, questionamos muito mais nossas antigas crenças do passado, ficamos mais receptivos para aquilo que é diferente de nós.

NOSSO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO RUMO AO MINIMALISMO

Desde que nos mudamos do Brasil, nossa visão de mundo sobre necessidades mudou muito. Não foi nada que planejamos ou que decidimos que iríamos mudar em nossas vidas. Provavelmente, tudo teve início quando tivemos que nos desfazer da maior parte dos nossos bens materiais quando nos mudamos para o exterior. Sem perceber, começamos  a passar por um processo rumo ao minimalismo.

Minimalismo: “princípio de reduzir ao mínimo o emprego de elementos ou recursos”; “estilo em que se empregam elementos ou recursos escassos e simples”

A ideia do minimalismo é que você somente viva com aquilo que realmente utiliza, que realmente é necessário para sua vida. E, de certa forma, uma palavra que resume isso de um jeito claro e simples é desapego. Isso não significa jogar tudo fora e viver na selva, ok? É não nos preocupamos em acumular bens materiais, em ter mais e mais coisas, consumindo desenfreadamente. No nosso caso, não queremos uma casa que parece de revista, decorada por um arquiteto e cheia de badulaques porque não vemos valor nisso. Não queremos ter um armário abarrotado de roupas e acessórios de grifes famosas porque não vemos propósito nisso.

Nós em Edimburgo, Escócia, em uma de nossas viagens econômicas pela Europa

Hoje conseguimos perceber que é possível viver bem com menos e a quantidade de coisas que possuímos está reduzindo cada vez mais. Outro dia, estávamos lembrando da nossa primeira viagem para a Europa, quando ainda morávamos no Brasil: uma mala grande para cada um + bagagem de mão. Atualmente: uma mochila para cada um em viagens de final de semana; uma mala pequena (que não precisa ser despachada) para uma viagem de 15 dias pela Europa. Nossa mudança para a Europa contou com 4 malas grandes e 1 mala média para o casal. Por que precisaríamos de mais do que uma mala pequenina para cada um para sair de férias? Nós já tivemos a nossa fase de consumo, em que comprávamos coisas sem questionar direito, sem pensar se realmente precisávamos daquilo. Nossas experiências nos mostraram que não precisamos mais de tanta coisa para viver bem. Hoje, tudo o que compramos é conversado entre nós, avaliamos a real necessidade do bem e tomamos ou não a decisão de compra, sem ressentimentos, sem apegos.

Nossas malinhas de mão que nos acompanham na maioria das viagens

Sem dúvida, o nosso maior aprendizado nesses últimos 3 anos foi iniciar o processo para ter uma vida minimalista, para dar valor para o que realmente importa: as coisas em enxergamos algum propósito. Cada vez mais estamos focados em utilizar nosso tempo, energia e dinheiro para preencher nossas vidas com experiências que tragam algum significado para nós. Bens materiais são necessários, mas muitos deles só trazem alegrias momentâneas. Aprendizados e experiências são para toda a vida. E nós temos procurado extrair o máximo possível dessas oportunidades. Que venham muitos anos e muitos aprendizados pela frente!


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